terça-feira, outubro 06, 2009

Orgulho

Hoje fui surpreendido. A cirurgia esta cada vez mais próxima (2 dias) e depois de um bom tempo sem fazê-lo, minha mãe perguntou se podíamos conversar.

Nos últimos tempos ela tem agido como uma onça prestes a morrer. Qualquer sinal de aproximação é respondido com um ataque – por vezes, físico. Tive que me defender fisicamente tentando não machucá-la enquanto o fazia, apenas me desviando de coisas ou tentando não me mover e, após sofrido o golpe, me afastar. Queria dizer que não senti vontade de gritar ou discutir até perder o fôlego.

Ela se sentou. Contou que hoje fôra o dia mais feliz de sua vida. Sem grandes explicações das razões e por quês. Falou de cristais, louças, de quando era criança e almoçava na cerâmica do meu avô com outras crianças, da casa em que morou, o destino da mesma, quem na época era um bom amigo dela, quem era um mau amigo do meu pai(eu ri...), ‘sua avó um dia achou uma mala...’, ‘o terreno desta casa foi comprado...’, falou saudosa de pessoas que já não estão em nossas vidas e uma verdadeira miríade de histórias interligadas.

E então me desarmou por completo.

Disse que se sentia muito orgulhosa de mim. Disse que me amava. E me pediu um abraço.

Eu estou preparado pra um óbito, estou preparado pra uma sobrevida, estou preparado pra seqüelas. Não estava preparado pra isso.

Não foi a primeira vez que ouvi qualquer uma dessas frases. O momento da conversa, o porvir, a sua postura física, tudo teve um efeito devastador e pareceu que fora a primeira vez que escutava isso. Parece que a realidade da coisa ficou ainda mais pesada.

Enquanto a abraçava, ela disse “eu ainda consigo te abraçar – não achei que ainda conseguisse – meu filho” e então orou.

Quando me soltou, me deu um beijo e disse boa noite.

Tenho 28 anos. Sou um homem feito. Sou pai. Sou muito mais que isso.

Me senti uma criança.

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